"O Que Nunca Te Direi"
criámos vidas paralelas,
e não só as criámos,
como também fantasiámos e sonhámos
mundos reais e surreais...
partilhámos aventuras,
confidencias,
falámos de amor,
paixão, sedução, coisas loucas,
coisas que foram demais...
coisas que foram, na verdade muito para além
do que entre nós poderiam ser normais...
e descobrimos que afinal muito mais existia
do que apenas a banalidade comum entre dores seres...
A pouco e pouco a atracção mística nascia,
partilhada pela cumplicidade de nossos sentimentos...
deixámo-nos levar tantas, mas tantas vezes pelo vento,
que este nos guiou por libidinosos pensamentos...
e sorrimos felizes...
Agora,
agora já não posso sorrir como outrora,
porque na poesia bela da tua boca,
reina a verdade que me encerra,
me ofusca e me corrói
sem que tua vejas, sem que a entendas...
sei que errei, ou talvez não...
não me importo de cometer os mesmos erros
só para que possa ver sair da tua boca esses beijos,
para que te possa ver sorrir,
para que eu possa sobreviver,
para que eu possa enfim ser...
Não me deixes, peço-te...
Não me deixes...prefiro morrer,
já sinto as lágrimas cair-me de tristeza da minha face
pela ausência que me foi vetada,
por ter de calar os versos da nossa canção,
por talvez quereres fechar esta página...
Espera, não vás ainda,
sem que eu te diga umas ultimas palavras:
Estas, talvez, as que nunca terei coragem de te dizer na cara,
talvez aquelas que não saibas,
aquelas que com o tempo venho afogando:
- será que as poderei dizer,
será que poderei eu revelar....
Não, talvez seja melhor que elas morram comigo,
para que amanhã não me censures com a tua verdade,
para que eu não me sinta tão vazia
tão triste por dentro,
como estou agora,
por sentir que afinal
isto é muito mais do que uma paixão,
do que uma atracção
do que uma espiritualidade,
isto é a encarnação sublime do amor,
cantada nos versos de Camões e de Petrarca,
um amor que viverá no meu pensamento,
que continuará perdido, enamorado,
errante pela vida que Deus lhe destinou.
Amor...talvez seja a palavra que tenho para dar,
a palavra que vibra aqui e quero soluçar,
a palavra que não posso mostrar,
a palavra que nunca terei coragem de falar.
Amor, sim Amor...aquilo que se busca uma vida inteira
e tão raramente se encontra,
aquilo que nos torna vivos, que gere o mundo,
mas também nos destrói,
nos mata, nos corrompe...
5-11-2007 - Eunice Fernandes


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