As minhas memórias

15.8.08

A Minha Vida

A minha alma está desfraldada
tal como um cavalo de batalha,
ou como uma bala perdida
atirada por alguém que perdera o tino.
A minha vida está tão simples
tão banal ou vil como dantes
desde que perdera o rumo dela mesma
desde que a rotina rotineira de todos os dias
se instalou e veio para ficar,
desde que aqueles que meu coração alegravam
se foram ou partiram
seguiram seus caminhos...
Tenho saudades do sorriso de menina
das gargalhadas que me enchiam a alma por dentro e por foram
daqueles dias de sorrisos de orelha a orelha
do tempo em que me olhando ao espelho
me via não bela, mas jovial,
com uma pele mimosa, sem alguns traços
aqueles mesmos traços que nos definem e
caracterizam uma certa fase da nossa vida...
Hoje, com mais maturidade
sinto e vejo que a vida não é o berço sublime de ouro
que julguei poder vir a ter...
sonhei com mais glorias
com dias de paz no seio da familia
rodeada das brincadeiras dos filhos
com tempo para mim e para os outros,
sem grandes coisas que me fizessem sobressaltar
ou deixar meu coração dorido
perdido e destroçado...
Afinal, vejo-me rodeada de gente e só,
simplesmente isso,
sem capacidade de gerir o que está à minha volta,
sem capacidade de enfrentar as transformações
que se estão a operar em mim
rodeada de medos, fobias, e com poucas palavras de conforto
carinho ou compreensão.
Poucos há que me queiram ouvir
que se preocupem com as minhas divagações
ou sabedorias...
a vida por si só é-me vazia por dentro e por fora
e por mais que arranje formas de me sentir
eu mesma feliz e integra
de facto não o sou nem o consigo ser.