Hoje, não vou escrever aqui poesia. talvez pareça estranho, mas não estou com capacidade para nada. A vida não tem sido nada fácil para mim desde que nasci e cada dia que passa, cada ano que passou foi para mim um cavalo de batalha. Perdi ao longo deste ano muita gente que amei, tenho sofrido perdas, danos irreparáveis e até eu mesma estou feita num fanico. Envelheci tanto neste no que chego a não me conhecer...e no entanto, apesar da vida triste e da pessoa que sou, eu apenas sorrio, brinco e finjo que estou bem e pela noite dentro não durmo e choro perdidamente a vida que Deus me deu e a qual só tenho de aceitar. Eu apenas queria ser feliz, se é que a felicidade existe ou é um estado...não sou uma mulher comum, sempre tive de lutar muito, trabalhar muito para ter a vida que tenho. Eu só queria que me entendessem como eu sou, porque eu infelizmente nasci com sentimentos que não consigo dominar...eu amo a vida, a família, os meus amigos e sofro por cada um deles como pedaços que fazem parte de quem sou. A minha filha é aquilo que mais amo no mundo e que me faz estar viva agora, porque senão fosse ela, talvez nem valesse a pena aqui estar...mas eu sofri tanto, mas tanto para a ter e sinceramente toda a dor que passei valeu a pena, porque Deus deu-me uma filha linda, sensível, inteligente, maravilhosa, um ser humano incomum e eu só tenho de agradecer isso.
Toda a vida sonhei um grande amor, sonhei com esta cabeça sonhadora e romântica, criando cenários idílicos que na realidade não existem ou se existem só se for nas estrelas, mas não na minha vida, porque ninguém consegue compreender esta minha sensibilidade, o ser que sou, aquilo que faço ou simplesmente dou...eu só quero que me amem, que me ouçam, me digam palavras bonitas e sinceras. Porque me magoam?-Porque brincam comigo, se afinal eu sou um ser tão diferente? -Porquê?
ontem, dei início ao fim de uma etapa de vida que sonhei muito. Há coisas que não se esquecem e nunca mais me vou esquecer do amor que senti e o que lutei para que ficássemos juntos, de como me lembro de ter subido ao altar com aquele vestido lindo, da nossa lua de mel, de tudo...e no fundo, quando olho para tudo isso, nada mais me parecem do que sonhos vividos em livros do além, porque tudo o que vivemos tirando a nossa filha, não foi nada mais do que ficcionalidade, um casamento fundado numa mentira de sentimentos, e no vida em que só existiu 5% de coisas boas e 95% de más. A dor que sinto hoje por dentro é Tao grande e profunda, pelas duas vezes que fui jogada no "lixo", pela forma abrupta como me trataste, com a frieza com que me falaste, que hoje, simplesmente vivo na insegurança, desconfiando dos sentimentos de outrem, com medo de amar....
Neste últimos meses, passei muito tempo sozinha, partilhando com o meu velho amiguinho aveludado no sofá ou no meu quarto as lágrimas da vida, e apesar de ser simplesmente um animal, foi o único que no silencio falava comigo, foi o único que me deu um pouco de paz e de carinho e que se lembrava que afinal eu existia...mas agora até isso perdi e nem sei como mãe encontrar as palavras certas para dizer a minha filha o que aconteceu...não há mãe alguma que consiga suportar a dor do coração de um filho e eu não tenho coragem de secar mais uma vez as lágrimas da minha filha, tem sido muitas perdas, ela esta muito fragilizada e eu sinto-me sem forças já suficientes para a ajudar...
A depressão que trago é forte e nunca mais me deixa, os medicamentos que tomam não me acalmam, o sono perdeu-se quase nem durmo, pelo que ando deambulando como um fantasma pela casa na madrugada....olho-me n o espelho e vejo o espectro que sou e às vezes, nem sei como resisto a tanta dor. As minhas colegas e amigas a quem puramente agradeço o apoio que me têm dado, têm visto bem o meu estado, as faltas que tenho dado ao trabalho, aquilo que choro, aquilo que nem o meu estômago consegue comer e muitas vezes perguntam-me como consigo aguentar a vida que tenho, porque foram estes seis meses apenas, mas sim 34 anos...No entanto, continuo a acreditar no amor, continuo acreditar que alguém me possa amar um dia e me fazer feliz, se é que essa pessoa já não existe!, mas simplesmente quero agradecer, aqui e agora aos meus amigos e amigas, sinceros, porque a amizade verdadeira é algo de raro: obrigado irmão, obrigada Catia, Sónia, Patrique, Helder, Mónica, Irene, Susana, Vitor, Célia, Goreti, Susaniscas, Sérgio, Rita e mais recentemente MF (R), e claro obrigada pai e mãe pelo vosso apoio, porque apesar das minhas cabeçadas, apesar da vossa postura sempre conservadora e as vezes pouco tolerante, nos momentos piores da minha vida voces sempre stiveram presentes. Sei a mulher que sou, não em beleza, mas no coração que tenho e naquilo que trabalho e dou de mim, apesar desta doença crónica nem sempre me deixar viver...mas mesmo assim, eu continuo sempre a lutar, porque como diz a Rita e a Goreti. Nice tu és especial, tens um dom, tu és sensível e sabes amar, tu és uma mulher muito lutadora, ninguém tem o direito de magoar ninguém assim.
Só tenho que agradecer em parte quem sou aos meus avós que me criaram em pequena e essencialmente ao meu avô que partiu há 5 anos e que foi mais que avô. Foi alguém que marcou profundamente a minha vida, alguém que pela sua sensibilidade, foi a única pessoa que sempre me amou seriamente e que me valorizava enquanto pessoa, enquanto aluna, enquanto neta. Foi um avô pobre quase sem estudos, mas que tinha uma cultura fantástica, deu-me momentos lindos e nunca me deixou faltar nada. Não admira que após a sua morte eu tenha caído na escuridão de mim mesma e que passe muito tempo a cuidar daquilo que reste dele. Adoro falar com ele e estar ali, porque afinal é único lugar neste mundo onde ninguém fala, mas também não nos faz mal, o único lugar onde há muita paz.
Neste momento, em que acabo de escrever estas palavras, em que choro, choro e choro, nesta madrugada, sinto que não só acrescentei mais umas palavras ao livro que estou a tentar escrever (Orientes de Mim, ventos de Mudança), mas sinto que se morresse agora, iria em paz...porque acabei de agradecer a todos aqueles que amo o que fizeram por mim, porque é horrível perder-se alguém sem nunca se dizer o que se sente, foi o que aconteceu com o meu avô, nunca consegui ter a coragem de lhe dizer o quanto o amava, e por isso aqui e agora, simplesmente quero dizer a todos os que aqui nomeei que, ainda que de forma diferente, vos AMO a todos.
Eunice Roque-30-10-2010


2 Comments:
At 5:56 p.m.,
Unknown said…
Tb te Adoro .... :) ... FORÇA NICE
At 2:01 p.m.,
Mónica Ferreira said…
Obrigada. É um previlégio ser tua amiga. Beijo.
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