Onde Estás?
como um navio naufrago
perdido algures no mar,
num local derradeiro,
onde reina a paz,
mas a solidão no olhar.
Avisto ao longe na janela
das minhas memorias a vida,
os momentos tão somente felizes
partilhados, trocados, escritos, tocados
que já não existem,
e no chão mergulham poesias trocadas
sobre as teclas, agora desfeitas e sem valor...
já não há a loucura doutros tempos
daquele outro, em que os sonhos
percorriam nossas almas loucas,
ávidas de amor, de desejo...
de insanidades típicas dos amantes...
hoje o frio corta, regela-me a alma vã,
perdida, solitária, pela ausência,
pelas palavras distantes, quase nulas
pelos dias que passam sem nada se dizer.
Fiquei só tão somente,
regressando há apagada vida
de meus sombrios dias,
percorrendo as portas abertas que o tempo
esse vagabundo deixa entreabertas,
para que se percorra um presente sobre um passado,
para que existe em cada aurora uma madrugada
de saudades, para que se chore sobre o que findou.
Onde estás?
Eunice Roque - 16-05-2009


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