As minhas memórias

17.5.09

Onde Estás?

Navego hoje aqui solitária,

como um navio naufrago

perdido algures no mar,

num local derradeiro,

onde reina a paz,

mas a solidão no olhar.



Avisto ao longe na janela

das minhas memorias a vida,

os momentos tão somente felizes

partilhados, trocados, escritos, tocados

que já não existem,

e no chão mergulham poesias trocadas

sobre as teclas, agora desfeitas e sem valor...



não há a loucura doutros tempos

daquele outro, em que os sonhos

percorriam nossas almas loucas,

ávidas de amor, de desejo...

de insanidades típicas dos amantes...



hoje o frio corta, regela-me a alma vã,

perdida, solitária, pela ausência,

pelas palavras distantes, quase nulas

pelos dias que passam sem nada se dizer.



Fiquei tão somente,

regressando há apagada vida

de meus sombrios dias,

percorrendo as portas abertas que o tempo

esse vagabundo deixa entreabertas,

para que se percorra um presente sobre um passado,

para que existe em cada aurora uma madrugada

de saudades, para que se chore sobre o que findou.



Onde estás?



Eunice Roque - 16-05-2009