As minhas memórias

1.12.10

Vou Erguer-me!

Hoje, abri e fechei o livro de uma vida,
recordei momentos que do passado julguei
puramente belos e felizes,
e à luz de hoje,
vejo que não passaram de mentiras,
puros anos roubados de uma inocência
aquela que levei até ao altar,
quando era nubente.

Hoje, revi fotos de sorrisos felizes e belos
algumas longínquas,
outras recentes
e nem pude imaginar como o amor se foi
assim, tão de repente,

porque um amor quando se vai
não vai, nunca existiu,
o amor quando é paixão é passageiro
não deixa marca no coração,

a paixão é éter volátil,
é apenas um rastilho de pólvora
prestes a estilhaçar,
é algo que consume a chama
e o lume não volta a atear,

talvez, à luz de hoje
eu reveja que afinal a nossa história foi ilusão,
foi apenas uma obsessão de te ter,
algo que não passou de uma história
que nunca deveria ter acontecido,

porque enquanto dei de mim,
tu nada me deste em troca,
nada partilhaste, nada querias,
nada me dizias, ou fazias,

e enquanto teus sentimentos fingidos
escondias, eu otária
permanecia na magia do amanhã,
lutando sem medida,
esquecida e apagada de mim...

Hoje, o nosso casamento pertence
a um passado que passou
mas que deixou uma marca
que o tempo não apagará!,

e enquanto tu estampas no rosto
uma felicidade sem par,
muitas vezes eu sinto a vergonha
de meus olhos não conseguir secar,

não pelo amor que findou,
fechou a porta e partiu,
mas por ver que tão friamente teu ser se revestiu
e minha alma despojou na dor,
deixando nos meus braços alguém
que um dia se fez julgando ser amor,

alguém que sofre por causa da estupidez
de nós os dois,
mas sinceramente apenas condeno as lágrimas,
condeno-me a mim a cada dia, pore te ter amado,
de ter sido tão cega, tão obcecada,

ao ponto de não ver o quão fui humilhada,
espezinhada,
mal amada,
renegada,
do meu casamento uma escrava....

sim, estou Triste,
Estou Frustrada,
Sou uma mulher com a vida Revoltada,

mas não vou cruzar os braços,
não vou pôr a cabeça no cepo
à espera que a dor e o nosso passado ma cortem,
sei que sou fraca,
por vezes forte,
e hei-de lutar até à Morte,
porque dos fracos não reza história,
eu vou erguer-me desta Batalha,
em honesta Glória!

Eunice Roque - 01-12-2010