sinto-me vazia perante a imensidão
e o frio desta noite.
Sinto-me um espectro deambulante por aqui,
sozinha na noite que me enterra,
um rosto sem passado, no presente sem futuro...
Já não se ouve o televisor a funcionar,
o choro do bebé,
o meu nome a ser chamado mais que uma vez,
e rotina diária desapareceu.
O meu leito há muito que está frio,
completamente vazio,
como caravelas do outrora
enterradas no imenso mar...
Só ouço vagamente ao longe o murmurar
da água de um aquário
outrora repleto de peixes
e agora vazio, perdido e esquecido.
Já não existem conversas, nem sorrisos,
já nem as luzes de natal cintilam
no interior e no exterior como antigamente,
tudo esta vazio e morto,
como a minha alma,
e a minha casa reflecte a imagem triste
e frustrada do que sou.
O frio que se sente lá fora hoje,
reina aqui dentro em mim,
estou amortalhada num passado presente
que vai levar muito tempo a pagar
a dor que se instalou,
porque pior que a dor de perder um amor
que deste mundo se apartou
é a dor de ter perdido um amor,
uma vida que se pensou existir,
mas que afinal não passaram apenas
de anos de juventude que o tempo nos roubou.
Eunice Roque - 03-12-2010


1 Comments:
At 7:19 p.m.,
LUIS FERNANDES said…
No meu humilde entendimento, acho que deve continuar a escrever. Não deixe de o fazer. Teime...
Enviar um comentário
<< Home